O CBD é o canabinoide mais estudado depois do THC e o que mais aparece em
produtos terapêuticos. Sua principal característica é ser
não-psicoativo: não provoca a alteração de percepção associada
à cannabis, o que permite doses mais altas com boa tolerância.
É também o único canabinoide com medicamento aprovado por agências
reguladoras. Um ensaio clínico com 120 crianças e jovens com síndrome
de Dravet, uma epilepsia grave e resistente a medicamentos, mostrou que o CBD
purificado reduziu a frequência de crises convulsivas em
comparação com placebo, ainda que com efeitos adversos como sonolência.
Fora da epilepsia, vem sendo investigado em quadros de
ansiedade, dor crônica e inflamação, mas a literatura ainda
pede estudos maiores antes de conclusões definitivas.
Não-psicoativo
Anti-inflamatório
Ansiolítico
Aprovado para epilepsia
Fonte
Devinsky O, et al. “Trial of Cannabidiol for Drug-Resistant Seizures in the
Dravet Syndrome”.
New England Journal of Medicine, 2017;376(21):2011-2020.
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THC
Tetrahidrocanabinol
THC
O THC é o principal composto psicoativo da cannabis e o
responsável pelos efeitos de euforia e alteração de percepção. Age ativando
parcialmente os receptores CB1, presentes em grande quantidade no sistema
nervoso central.
Ainda assim, tem uso medicinal reconhecido: versões sintéticas,
como o dronabinol e a nabilona, foram aprovadas para
náusea e vômito causados por quimioterapia e para
estimular o apetite em pacientes com HIV/AIDS.
É justamente pelo efeito psicoativo que o THC exige
prescrição e acompanhamento médico, com ajuste cuidadoso de
dose. Na prática clínica costuma ser usado em proporções equilibradas com o
CBD, que ameniza parte de seus efeitos.
Psicoativo
Analgésico
Antiemético
Estimula o apetite
Fonte
Khalsa JH, Bunt G, Blum K, Maggirwar SB, Galanter M, Potenza MN.
“Review: Cannabinoids as Medicinals”.
Current Addiction Reports, 2022.
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O CBG é conhecido como “canabinoide mãe” porque é a partir
dele que a planta produz os demais: em sua forma ácida, é o precursor químico
do THC, do CBD e do CBC. Como é consumido nesse processo, aparece
em quantidade pequena na planta madura.
Funciona como agonista parcial fraco dos receptores CB1 e CB2
e ativa canais TRP, envolvidos na percepção de dor e temperatura. Também
interage com receptores adrenérgicos e serotoninérgicos, o que ajuda a explicar
o interesse da pesquisa em seu potencial anti-inflamatório e
neuroprotetor.
Precursor
Anti-inflamatório
Neuroprotetor
Fonte
Walsh KB, McKinney AE, Holmes AE. “Minor Cannabinoids: Biosynthesis, Molecular
Pharmacology and Potential Therapeutic Uses”.
Frontiers in Pharmacology, 2021.
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O CBN não é produzido diretamente pela planta: ele se forma quando o
THC se degrada com o tempo, a luz e o oxigênio. Por isso costuma
aparecer em maior concentração em material vegetal mais antigo.
Sua afinidade pelos receptores CB1 e CB2 é baixa se comparada
à do THC, o que faz dele um composto pouco psicoativo. Em contrapartida, ativa
vários canais TRP e é bastante associado a efeitos sedativos,
motivo pelo qual aparece com frequência em formulações voltadas ao sono.
Sedativo
Pouco psicoativo
Ligado ao sono
Fonte
Walsh KB, McKinney AE, Holmes AE. “Minor Cannabinoids: Biosynthesis, Molecular
Pharmacology and Potential Therapeutic Uses”.
Frontiers in Pharmacology, 2021.
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THCV
Tetrahidrocanabivarina
THCV
O THCV tem estrutura parecida com a do THC, mas
comporta-se de forma quase oposta: em vez de ativar o receptor
CB1, ele o bloqueia em doses menores, agindo como agonista
parcial no CB2. Na prática, isso significa que
tende a reduzir o apetite em vez de aumentar, ao contrário do THC.
Esse mecanismo despertou interesse no campo metabólico. Um ensaio clínico
randomizado e controlado por placebo, com 62 pessoas com
diabetes tipo 2, observou que o THCV
melhorou a glicemia de jejum e a função das células beta do
pâncreas ao longo de 13 semanas.
A pesquisa ainda é inicial e os estudos disponíveis são pequenos, mas o composto
vem sendo investigado para controle de peso e regulação da glicose.
Reduz o apetite
Metabolismo
Bloqueia o CB1
Fontes
Jadoon KA, et al. “Efficacy and Safety of Cannabidiol and Tetrahydrocannabivarin
on Glycemic and Lipid Parameters in Patients With Type 2 Diabetes”.
Diabetes Care, 2016;39(10):1777-1786.
Ver estudo
·
Abioye A, et al. “Δ9-Tetrahydrocannabivarin (THCV): a commentary on potential
therapeutic benefit for the management of obesity and diabetes”.
Journal of Cannabis Research, 2020.
Ver artigo
O CBC está entre os canabinoides mais abundantes da planta,
embora seja bem menos conhecido que o CBD e o THC. Como o CBG, deriva do mesmo
precursor ácido e não provoca efeito psicoativo.
Age como agonista parcial do receptor CB2, mais ligado a
processos inflamatórios e imunológicos, e é um
ativador potente do canal TRPA1, envolvido na sinalização de
dor. Estudos também indicam que pode
inibir a recaptação da anandamida, um canabinoide produzido
pelo próprio corpo, prolongando seus efeitos naturais.
Anti-inflamatório
Não-psicoativo
Modula a dor
Fonte
Walsh KB, McKinney AE, Holmes AE. “Minor Cannabinoids: Biosynthesis, Molecular
Pharmacology and Potential Therapeutic Uses”.
Frontiers in Pharmacology, 2021.
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O CBDV é quimicamente muito próximo do CBD, diferindo apenas
no comprimento de uma das cadeias da molécula. Assim como ele,
não é psicoativo e tem baixa afinidade pelos receptores
CB1 e CB2.
Sua ação se dá principalmente por outros caminhos: ativa canais
TRP e interage com os receptores GPR55 e GPR6. É um dos canabinoides menores
mais investigados na área neurológica, sobretudo em pesquisas
ligadas a epilepsia e transtornos do neurodesenvolvimento, ainda em estágio de
avaliação clínica.
Não-psicoativo
Pesquisa neurológica
Canais TRP
Fonte
Walsh KB, McKinney AE, Holmes AE. “Minor Cannabinoids: Biosynthesis, Molecular
Pharmacology and Potential Therapeutic Uses”.
Frontiers in Pharmacology, 2021.
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